A mobilidade urbana é apontada por 73,15% dos moradores da Grande Jacarepaguá como o principal problema da região, segundo enquete realizada por veículos de imprensa. O cenário é marcado por congestionamentos e falta de transporte de alta capacidade em uma área que cresceu 20% na última década, conforme dados do Censo de 2022.
A prefeitura do Rio informou que reforçou a frota com ônibus novos em linhas estratégicas, como a 565 (Tanque-Gávea) e a 801 (Bangu-Taquara). A gestão municipal prevê que a terceira etapa de concessão do Sistema Rio, em 2027, ampliará a frota operacional nas zonas Sudeste e Oeste com veículos zero quilômetro equipados com ar-condicionado e GPS.
Para Yuri Leal, presidente da Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (Amaf), a estrutura atual não comporta o boom imobiliário dos últimos 30 anos. Em setembro de 2023, a Amaf apresentou ao Governo do Estado um projeto de linha transversal de metrô ligando a Estação Jardim Oceânico a Belford Roxo, passando por bairros como Anil, Pechincha e Taquara. A Riotrilhos considerou a proposta viável.
Em Curicica, o presidente da Associação Fraternos Amigos do Parque Curicica (Afapac), Michel Marins, afirma que moradores de áreas internas enfrentam dificuldades para acessar o BRT, precisando de múltiplas conduções para chegar ao destino. O arquiteto Filipe Marino, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que a região é dinâmica, porém isolada por depender de poucos corredores rodoviários.
A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) informou que a expansão do metrô para a região consta no Plano Diretor Metroviário (PDM), com diretrizes até 2045, mas sem data definida para Jacarepaguá. Atualmente, o estado prioriza o estudo de ligação entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, via Terminal Alvorada.
A engenheira civil Marina Baltar, da Coppe/UFRJ, defende que o BRT é um ganho, mas deve ser articulado a linhas alimentadoras eficientes. Segundo a professora, o desafio central é a integração da rede para que o passageiro consiga acessar e sair dos sistemas de alta capacidade.

