O ministro Alexandre de Moraes entregou, na noite de segunda-feira (14), uma manifestação de 44 páginas ao ministro Edson Fachin para contestar o relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro. O documento, composto por 121 tópicos, é a primeira resposta extensa de Moraes às evidências reunidas no procedimento.
Moraes afirma que 47 das 52 notas atribuídas pela PF a possíveis diálogos com ele não aparecem em nenhuma conversa de WhatsApp recuperada do aparelho de Vorcaro, o que representa 90,4% do conjunto. O ministro sustenta que a análise de 7.742 documentos, divididos em 48 petições, uma reclamação e quatro inquéritos, não encontrou ato oficial seu em benefício de Vorcaro ou do Banco Master.
A manifestação traz a acusação de que o relatório policial teria sido produzido com auxílio de um órgão externo, provavelmente estrangeiro, e posteriormente plantado nos sistemas da PF. A afirmação é tratada como acusação de Moraes, sem confirmação independente ou documento oficial da polícia que a sustente.
A questão central do caso passa agora a ser pericial. É necessário determinar quando as notas foram criadas, modificadas e sincronizadas, além de verificar metadados e correlação temporal com chamadas, localização ou mensagens efetivamente recuperadas para confirmar ou enfraquecer a interpretação da PF.
O texto foi juntado à PET 16.704, derivada da PET 16.662. O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) examina a manifestação nesta terça-feira (15).

