O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou nesta terça-feira (15) relatório da Polícia Federal que atribui a ele a interlocução de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O magistrado afirmou em manifestação ao presidente da Corte, Edson Fachin, que a conclusão da corporação se baseia em “mera suposição”.
A Polícia Federal detalhou em documento de 218 páginas que utilizou o cruzamento de horários de capturas de tela, registros de abertura de aplicativos e logs de envio do WhatsApp para reconstruir as conversas. Segundo a PF, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do iPhone 17 Pro, tirava um print e enviava a imagem para o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Moraes argumenta que 47 das 52 notas apresentadas não foram localizadas nas conversas do aplicativo, o que tornaria 90,4% do conjunto do relatório baseado em inferências. O ministro sustenta que não há comprovação de que os textos foram efetivamente enviados ou se chegaram a ser visualizados pelo destinatário.
A perícia, realizada com a ferramenta Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED), encontrou arquivos PDF em pastas temporárias do aparelho que corroborariam a cronologia das ações. Em um exemplo citado, a PF registrou que Vorcaro fez um print às 16h32min31s de 30 de outubro de 2025 e, 32 segundos depois, o sistema registrou o envio de mensagem para o telefone do magistrado.
A corporação informou que cinco das 52 notas foram efetivamente localizadas no WhatsApp, o que validaria a consistência da metodologia de metadados. Moraes, porém, afirma que mesmo esses casos não provam a autoria, mencionando que os mesmos textos teriam sido enviados a outros destinatários.
O magistrado ressaltou que não existem mensagens de sua autoria que indiquem favorecimento ao Banco Master ou conhecimento prévio de operação policial. Moraes também alegou que a investigação foi ilegal, pois teria sido determinada de ofício pelo ministro André Mendonça, sem pedido da PF ou da Procuradoria-Geral da República.


