O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (15) a convocação de testemunhas ao plenário da Corte para verificar as informações de um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que aponta interferência do ministro André Mendonça em acordos de delação premiada sobre desvios no INSS.
O documento da PF indica que Mendonça teria tentado interferir no andamento de investigações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório também menciona que o ministro questionou a equipe policial sobre conteúdos no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, que fariam referência a Moraes.
Mendonça classifica o documento como apócrifo, alegando que, por ser interno, não possui valor probatório. Moraes rebateu a tese, afirmando que relatórios de inteligência são oficiais e servem como meios de obtenção de prova, comparando-os a colaborações premiadas.
Sobre a apuração de conversas com Vorcaro, Moraes explicou que a extração de dados de blocos de notas difere de mensagens reais. Segundo o magistrado, a captura eletrônica de escritos para envio temporário presume apenas uma possibilidade, e não a confirmação do fato.
O ministro afirmou que Mendonça determinou uma investigação contra ele “de ofício” em agosto, utilizando dados disponíveis desde maio. Moraes sustenta que a decisão do colega ignora o posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que é contrário à abertura da investigação.

