O ministro Alexandre de Moraes afirmou, durante o julgamento da petição 16.662 no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 15 de setembro, que o relatório da Polícia Federal (PF) utilizado pelo ministro André Mendonça para acusá-lo foi possivelmente elaborado por agentes estrangeiros e inserido nos computadores da corporação.
Moraes argumentou que os metadados do documento demonstram que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia, o que indicaria que o texto foi “plantado” e não produzido integralmente pela PF. Em ofício enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro declarou que o estilo da produção comprova uma tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026.
O magistrado também relacionou o afastamento do diretor da PF, Andrei Rodrigues, à possível tentativa de impedir a averiguação da produção externa do relatório. Segundo Moraes, o documento é imprestável devido à quebra da cadeia de custódia, afirmando que houve auxílio de órgão externo para concluir os trabalhos em tempo impossível para a instituição.
Sobre a manipulação de provas, Moraes disse que o gabinete de Mendonça teve acesso livre aos dados brutos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e poderia ter alterado os vestígios. Ele afirmou que o relatório utilizou recortes de mensagens em blocos de notas, sem comprovação de que foram enviadas a ele ou a outros interlocutores.
No mérito das acusações, Moraes declarou que o relatório não encontrou qualquer prática de infração penal de sua parte. Ele informou que 90,4% do conjunto do documento é composto por inferências e que, das 52 notas apresentadas, 47 não foram localizadas em conversas de WhatsApp.
O ministro finalizou defendendo que não existe nenhuma mensagem de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operações policiais, alegando que tais fatos foram ignorados pelas ilações do relatório encomendado por Mendonça.

