O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que um relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode ter sido produzido com auxílio de órgão estrangeiro. A declaração consta em ofício enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, nesta segunda-feira (14).
Moraes classificou o documento de 44 páginas como “nulo e imprestável”. Segundo o ministro, a possível participação externa representaria uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de outubro de 2026. O texto foi enviado às vésperas da sessão do STF que analisa o relatório, elaborado por determinação do ministro André Mendonça.
O magistrado questiona a cadeia de custódia dos dados e sustenta que o material não foi elaborado integralmente dentro da PF. Ele afirma que os metadados indicam que a abertura e a finalização do arquivo ocorreram no mesmo dia nos computadores da corporação, o que sugeriria que o conteúdo foi produzido fora da instituição e posteriormente “plantado” no sistema.
A investigação analisa mensagens extraídas do telefone de Vorcaro, salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório aponta dezenas de comunicações em que o ex-banqueiro pedia orientação e ajuda diante de medidas que poderiam atingir ele e o Banco Master, incluindo questionamentos sobre deixar o país.
Moraes argumenta que o relatório reúne fragmentos subjetivos e dados falsos, afirmando que o próprio documento não identifica infração penal cometida por ele. O ministro atribui motivação político-eleitoral ao caso, alegando que a investigação visa incriminá-lo e atingir o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para favorecer grupo político específico.
O ex-banqueiro foi preso pela PF em 17 de novembro, data em que o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. O STF avalia os elementos do relatório e os questionamentos apresentados em sessão extraordinária nesta terça-feira (15).

