O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “fantasiosos” diálogos que teria mantido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nesta terça-feira (15). Em documento de 44 páginas entregue à Presidência da Corte, Moraes contestou elementos da Polícia Federal (PF) e acusou o ministro André Mendonça de conduzir a apuração de forma irregular.
A manifestação foi protocolada menos de 12 horas antes da sessão do STF que analisa o pedido de abertura de investigação contra Moraes. No texto, o ministro utiliza 26 vezes o termo “ilegal” para se referir à atuação de Mendonça, que era o relator dos procedimentos do caso Banco Master.
Moraes afirmou que nunca atuou em processos envolvendo o Banco Master ou o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci. Sobre os registros encontrados no celular de Vorcaro, alegou que os dados não passaram por perícia capaz de confirmar a autoria e o envio do conteúdo, classificando as supostas mensagens como “diálogos fantasiosos”.
Para o ministro, a análise de metadados e a atribuição de autoria são resultado de interpretação subjetiva. Ele argumentou que o analista teria ignorado hipóteses alternativas, como a de que o texto jamais tenha sido enviado ou que tenha sido apagado antes de ser visualizado. Segundo Moraes, não existe no material nenhuma mensagem atribuída diretamente a ele.
O documento acusa André Mendonça de ter “motivação político-eleitoral” e de integrar uma tentativa de vingança de aliados de pessoas envolvidas em rupturas institucionais. Moraes escreveu que a tentativa de golpe não se encerrou em 8 de janeiro de 2023 e apenas mudou o modo de operação.
Moraes declarou que Mendonça soube da citação a seu nome em 18 de maio, mas teria escolhido o momento conveniente para apresentar o material ao plenário. O ministro afirmou que pretende indicar testemunhas que presenciaram pedidos de Mendonça à PF para a adoção de medidas contra ele.
Sobre a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro, Moraes defendeu o sucesso da ação e negou a existência de vazamentos. Ele afirmou que as suspeitas sobre os diálogos são tentativas de construir uma narrativa contra sua atuação no STF.


