O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Edson Fachin, que o plenário analise conjuntamente, na sessão extraordinária de terça-feira, as suspeitas contra ele e os questionamentos sobre a atuação do ministro André Mendonça em investigações do Banco Master e fraudes no INSS.
Em documento enviado a Fachin, Moraes acusou Mendonça de realizar uma seleção do material que teve o sigilo retirado na noite de quinta-feira. O ministro afirmou que 180 documentos relacionados às investigações permaneceram sem publicidade, o que, segundo ele, obstaculiza gravemente a análise probatória.
Moraes sustenta que o próprio presidente do STF já reconheceu a conexão entre os procedimentos. Ele citou decisão de Fachin na qual se alertava que a tramitação separada dos casos poderia provocar risco de decisões contraditórias e tumulto processual, dado que as medidas possuem bases fáticas e probatórias sobrepostas.
A sessão de terça-feira foi convocada inicialmente para analisar a Petição 16.662, que trata de relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Já as críticas à conduta de Mendonça estão na Petição 16.704, que ainda não constava no calendário do plenário.
No ofício, Moraes retoma acusações de que Mendonça teria usurpado a direção de investigações, conduzido irregularmente tratativas de colaboração premiada e direcionado alvos por razões pessoais e políticas. O ministro citou a si mesmo e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como alvos desse direcionamento. Mendonça contesta as acusações.
A crise entre os magistrados se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de relatório que indicava conversas entre Vorcaro e Moraes. Em resposta, Moraes pediu investigação sobre Mendonça por suposto crime de responsabilidade, abuso de poder e improbidade administrativa, baseando-se em relatórios de inteligência da PF sem assinatura oficial.
Recentemente, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alegando ter sido alvo de monitoramento ilegal da inteligência da PF entre 3 e 31 de agosto. Fachin suspendeu as decisões conflitantes sobre o cargo de Rodrigues e assumiu a relatoria do inquérito das fake news, removendo Moraes da função.

