O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), presta informações nesta terça-feira (15), em sessão plenária em Brasília, sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Corte analisa relatório da Polícia Federal (PF) que indica o magistrado como interlocutor do ex-banqueiro.
O documento da PF detalha diálogos em que Vorcaro consultou Moraes dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, questionando se deveria deixar o país em um jato particular para Malta. As mensagens foram recuperadas de aparelhos apreendidos, embora as respostas do ministro não tenham sido acessadas por terem sido enviadas via prints com visualização única no WhatsApp.
A apuração aponta que Moraes teria editado, antes da assinatura, um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A banca confirmou a intervenção do magistrado, alegando que ocorreu a pedido do setor de compliance para verificar impedimentos legais. Registros da Receita Federal indicam pagamentos de R$ 80,2 milhões em dois anos.
O relatório menciona ainda a negociação de cotas de um jatinho e um helicóptero como pagamento de um segundo contrato de R$ 50 milhões com o escritório de Barci de Moraes, embora a banca negue a assinatura desse acordo. Moraes teria utilizado aeronave da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio.
Segundo as mensagens, o ministro e o ex-banqueiro se encontraram ao menos seis vezes entre fevereiro de 2024 e abril de 2025. Alguns desses encontros teriam sido articulados por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações. A PF também investiga relatos de pressão sobre Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), durante tentativa de venda de parte do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB).
A sessão, iniciada às 10h, pode resultar na abertura de investigação contra Moraes ou na anulação do relatório, conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).


