O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) comprovou irregularidades na venda de ingressos e a superlotação de setores do Maracanã em partidas de Flamengo e Fluminense. A apuração, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest), baseou-se em planilhas de público e laudos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.
As autoridades constataram que o volume de torcedores excedeu a capacidade do estádio e de áreas específicas, especialmente no setor norte e nas cadeiras cativas. O limite atual de pagantes do Maracanã é de pouco mais de 73 mil pessoas. O MP apurou que o Fluminense disponibilizou mais ingressos que o permitido em cinco jogos, enquanto o Flamengo superlotou os setores norte e cativas em ao menos seis de 12 partidas sob suspeita.
A investigação utilizou como parâmetro um amistoso entre Brasil e Panamá, realizado em maio, organizado pela CBF. Naquela ocasião, mesmo com lotação esgotada, os setores respeitaram os laudos de segurança e não houve comercialização de ingressos no setor oeste superior, criado dentro das cativas.
Segundo o órgão, o consórcio Fla-Flu Serviços S.A. e empresas prestadoras de serviço dificultaram a coleta de dados após o início do inquérito em 31 de outubro. O acesso ao sistema de reconhecimento facial e ao monitoramento em tempo real da entrada de público teria sido restringido, inclusive em jogo do Fluminense contra o Platense, na última terça-feira.
Flamengo, Fluminense, Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e o consórcio administrador têm até a próxima semana para apresentar explicações. O Fluminense negou as acusações em nota, afirmando que não comercializa ingressos acima da carga. O Flamengo não respondeu ao pedido de posicionamento, e a Ferj informou que prestará as informações no prazo estipulado.
O CEO da Fla-Flu Serviços, Fred Nantes, disse em entrevista coletiva que a empresa colabora com o Ministério Público e classificou a investigação como “uma questão midiática”.
A Lei Geral do Esporte prevê, no artigo 147, que equipes que vendam bilhetes acima da capacidade podem ser proibidas de atuar em estádios de sua cidade por até seis meses. O MPRJ, contudo, estuda propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para evitar a judicialização e prejuízos esportivos aos clubes nesta temporada.

