A Medida Provisória 1394/2026, que proíbe jogos online como bets e tigrinhos, está em vigor desde a sexta-feira (25), mas já enfrenta nova contestação no STF. Representantes das empresas de apostas afirmam ter identificado 833 novos sites ilegais após a proibição. O Congresso tem até 120 dias para analisar a MP.
Estudo do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento aponta que as bets drenaram R$ 62,5 bilhões dos jogadores em 2025, cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, com dados do Banco Central. Pesquisa do Insper indica que 25 milhões de pessoas apostaram em plataformas autorizadas no período.
Dados da 9ª edição do Raio-X do Investidor, da Anbima, mostram que 17% da população fez apostas online em 2025 e 37% gastou R$ 100 ou mais por mês. Entre os apostadores, 11% foram classificados com alto nível de propensão ao vício, com perfil concentrado em homens, jovens e pessoas da classe C.
Instituto Locomotiva aponta que 86% dos apostadores declararam ter alguma dívida e 64% disseram estar negativados no Serasa. A pesquisa do Insper também indica que começar a apostar eleva a probabilidade de inadimplência em 19,7%, chegando a 38,7% no cartão de crédito. A CNC estima que os jogos online retiraram R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026.
“Quando o consumidor decide jantar fora em um restaurante ou comprar um vestido novo, o dinheiro continua circulando na economia nacional”, afirma Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School. “No caso das bets, ocorre exatamente o oposto: os recursos são direcionados para empresas sediadas em paraísos fiscais e fora do país.”
Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, alerta que a proibição não elimina a demanda. “Quando se proíbe o mercado, a demanda não desaparece; ela apenas busca canais informais”, diz. Ele lembra que o prazo de regulamentação expirou em 2022 sem normas publicadas, o que permitiu a consolidação do setor antes das travas estatais.
Levantamentos indicam que de 38% a 44% das apostas online no país ocorriam em plataformas clandestinas, segundo estudo da LCA Consultores e Instituto Locomotiva. O TCU apontou que cerca de 40% do mercado permanecia sob controle de operadores não autorizados. A Anatel bloqueou 66 mil endereços de sites ilegais entre janeiro de 2025 e setembro de 2026.
Experiências internacionais mostram resultados mistos. Reino Unido e Alemanha adotaram limites por rodada em 2021, enquanto Holanda proibiu cassinos online e manteve apostas esportivas reguladas. Felisoni defende regulamentação rigorosa, comparando as bets à indústria do tabaco: “Não se trata apenas de proibir de forma simplista, o que pode alimentar o mercado ilegal”.

