A National Aeronautics and Space Administration (Nasa) identificou uma nova cratera na Lua com cerca de 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade. A cavidade, descoberta pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), foi formada entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 após a colisão de um fragmento de asteroide ou cometa.
O objeto, estimado no tamanho de um prédio de três a seis andares, atingiu a superfície lunar sem que o impacto fosse percebido na época. A cratera, batizada de McGetchin, foi identificada apenas em outubro de 2025, quando Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da Intuitive Machines, notou um ponto brilhante cercado por área escura durante análise de rotina de dados.
A estrutura é a maior já registrada no Sistema Solar entre as formadas em tempos recentes, superando em três vezes a recordista anterior. Segundo cientistas, colisões dessa magnitude ocorrem na Lua aproximadamente uma vez a cada século, sendo classificada como uma observação estatisticamente rara.
A colisão lançou poeira e material rochoso a distâncias superiores a 100 quilômetros. Mark Robinson, cientista-chefe das câmeras da LRO, informou que o impacto alterou a superfície em área muito maior que a própria cratera. Instrumentos térmicos indicaram que a região ao redor, com 7 quilômetros de largura, ficou 9 graus Celsius mais fria durante a noite devido ao revolvimento do regolito.
David Paige, pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), comparou o processo à jardinagem, afirmando que os impactos trazem para a superfície materiais que normalmente estariam abaixo dela. A alteração do solo pode influenciar a interação de rodas de veículos robóticos com o terreno em missões futuras.
A Nasa pretende utilizar os dados para dimensionar riscos a estruturas que venham a ser construídas na Lua. Robinson afirmou que as observações indicam que a camada superficial do solo tem cerca de 2 centímetros de espessura e que as pegadas dos astronautas das missões Apollo devem desaparecer antes desse prazo. O objetivo agora é calcular o risco de material ejetado atingir futuras bases lunares.

