O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou acusações de genocídio em Gaza durante seu pronunciamento na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quinta-feira (24), em Nova York. O discurso foi marcado pela saída de diversos delegados do plenário em sinal de protesto.
Netanyahu classificou as alegações de genocídio como “a maior mentira do século” e afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) são o exército mais moral do mundo. O premiê argumentou que Israel não cometeu genocídio, mas o evitou, citando a facilitação de ajuda alimentar e campanhas de vacinação contra a pólio na Faixa de Gaza.
O líder israelense atacou nominalmente o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, chamando-o de antissemita e acusando-o de apoiar o Hamas e incitar tumultos contra judeus na cidade. Em resposta, Mamdani declarou que Netanyahu utiliza o discurso para repetir mentiras e sanitizar o extermínio de palestinos, lembrando que o premiê é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.
No plano internacional, Netanyahu elogiou o presidente Donald Trump, citando a operação conjunta que teria destruído grande parte do programa nuclear do Irã após o início da guerra em fevereiro. O premiê também acusou o Catar de financiar a lavagem cerebral de jovens contra o Ocidente e a Turquia de ser uma “superdistribuidora de mentiras antissemitas”.
Em pronunciamento gravado, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, denunciou a “limpeza étnica” e a catástrofe humanitária em Gaza. Abbas criticou a administração Trump por negar vistos a sua delegação e pediu a concessão de membro pleno da ONU para o Estado da Palestina.
Dados do Ministério da Saúde de Gaza indicam que mais de 73 mil palestinos morreram desde o início da campanha militar israelense, após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas em Israel. Desde o cessar-fogo assinado em outubro de 2025, outras 1.400 mortes foram registradas na região.


