O Liceu de Barcelona abriu sua temporada com uma nova montagem de Aida, de Giuseppe Verdi, dirigida pela artista visual iraniana Shirin Neshat. A soprano Anna Netrebko protagonizou o espetáculo, que teve seu ápice no terceiro ato, com a ária ‘O patria mia’, às margens do Nilo.
A produção, vinda da Ópera de Paris, inverteu a fórmula consagrada da obra de Verdi. Após a estreia milanesa de Aida, em fevereiro de 1872, o crítico Salvatore Farina escreveu na Gazzetta Musicale di Milano que a ópera agradava desde a primeira noite e, para levar o público ao paraíso, não obrigava a passar pelo purgatório.
No Liceu, o paraíso chegou apenas no terceiro ato, com a interpretação sublime de Netrebko em ‘O patria mia’. Até lá, o público precisou atravessar um purgatório de interlúdios teatralizados, sacrifícios sem credibilidade e cantores abandonados à própria sorte na encenação de Neshat.
A montagem da artista visual iraniana, conhecida por seu trabalho em vídeo e fotografia, trouxe uma abordagem contemporânea à ópera de Verdi, mas enfrentou críticas pela condução dos momentos dramáticos.
O Liceu, um dos principais teatros de ópera da Europa, apostou na produção para abrir sua temporada, contando com o prestígio de Netrebko, uma das sopranos mais renomadas da atualidade.


