Sociedades internacionais de cardiologia publicaram a 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, que estabelece critérios mais rigorosos para o diagnóstico da doença. O novo documento, lançado em 2026, determina que a elevação da proteína troponina no sangue indica injúria miocárdica, mas não é suficiente para diagnosticar um infarto sem a comprovação de isquemia aguda.
A troponina é liberada na circulação quando células do músculo cardíaco sofrem lesão. Segundo a nova definição, a detecção dessa proteína acima do limite de referência confirma a injúria, mas o infarto exige evidências adicionais. O diagnóstico agora deve considerar sintomas, alterações no eletrocardiograma, exames de imagem ou a investigação das artérias coronárias.
Condições como insuficiência cardíaca, miocardite, sepse, arritmias, embolia pulmonar e doenças renais podem elevar a troponina sem que haja um infarto. A distinção é considerada essencial para evitar que pacientes recebam tratamentos inadequados, como a intervenção para obstruções arteriais quando a causa da lesão é outra.
O sistema de classificação anterior, que dividia os infartos em cinco tipos numerados, foi substituído por três categorias clínicas. O infarto primário ocorre por problemas agudos na circulação coronariana, como a ruptura de placas de aterosclerose. O secundário acontece quando outras condições, como anemia ou hipóxia, provocam desequilíbrio de oxigênio no coração. Já o infarto relacionado a procedimento decorre de complicações em cirurgias ou intervenções cardíacas percutâneas.
A norma de 2026 também altera a avaliação de gênero nos exames. Como mulheres apresentam, em média, concentrações de troponina menores que homens, o documento recomenda o uso do percentil 99 específico para cada sexo. A medida visa reduzir o risco de não reconhecer injúrias miocárdicas em pacientes femininas ao utilizar um ponto de corte único para ambos os sexos.

