A implementação de voos por instrumentos no aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, ampliou a área de restrição de altura para novas construções na capital. A partir de 15 de setembro, edifícios que ultrapassarem 45 metros em um raio de 20 quilômetros do terminal exigirão autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira (FAB).
A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que as restrições de construção vinculadas aos voos no Campo de Marte saltaram de 2,98% para 52,7% da cidade. O impacto atinge regiões estratégicas para a produção habitacional e projetos públicos. No total, a área do município com algum tipo de limitação construtiva por aeroportos, incluindo Congonhas e Guarulhos, subiu de 64% para 71%.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) estima que as novas normas podem gerar um custo adicional de até R$ 2,7 bilhões por ano para as empresas do setor. Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, questionou a magnitude da restrição urbana para viabilizar quatro voos diários, afirmando que a medida atinge não apenas o setor imobiliário, mas também hospitais e universidades.
Entre 16 de dezembro de 2025 e 30 de junho de 2026, o número de pedidos de pareceres para obras na área subiu para 8.187, contra 6.399 no período anterior. O Decea afirma que a estabilidade na taxa de processos que exigem análise técnica profunda, que passou de 12% para 13%, comprova a conciliação entre o desenvolvimento urbano e a segurança aérea.
Rogerio Prado, CEO da Pax Aeroportos, disse que a implantação do sistema de voo por instrumentos (IFR) não altera o desenvolvimento da cidade. A mudança era uma previsão contratual da concessão assumida em 2022 para ampliar a variedade de aeronaves no aeroporto. Inicialmente, os voos IFR serão limitados ao horário entre 6h e 6h59.
Mônica Marcondes de Castilho, diretora executiva da GPC Assessoria Aeroportuária, relatou que bairros como Santana, Perdizes e o centro são os mais afetados. Segundo a consultora, o prazo para obtenção de aprovação junto à Aeronáutica, que antes levava três semanas, agora chega a quase 60 dias.

