Os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declararam-se impedido e suspeito, nesta terça-feira (15), de participar do julgamento sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão analisa relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, sobre vínculos de Moraes com Daniel Bueno Vorcaro.
A sessão extraordinária foi convocada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. O relatório da Polícia Federal vincula Moraes ao ex-banqueiro Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.
Nunes Marques afirmou que seu impedimento decorre do impacto eleitoral do julgamento sobre a sucessão presidencial de outubro, já que ocupa a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro declarou que o cargo inviabiliza a emissão de um voto que interfira na corrida eleitoral. Ele informou que não julgou casos ligados ao Banco Master e que votou pela manutenção da prisão de Vorcaro.
Toffoli recordou que já havia se declarado suspeito para julgar procedimentos do caso Master em abril, após relatório da Polícia Federal sugerir ligação entre ele e Vorcaro. O magistrado, que era relator do caso na época, justificou a decisão por motivo de foro íntimo para preservar a Corte e evitar constrangimentos.
Após as manifestações, o ministro Flávio Dino apresentou questões preliminares para discussão. O ministro Gilmar Mendes iniciou a apresentação de argumentos sobre a legitimidade da decisão do ministro Nunes Mendonça, que permitiu o avanço da investigação da PF sobre um membro do Supremo sem comunicar o plenário.

