Oito em cada dez brasileiros (89%) consideram que crianças e adolescentes estão muito vulneráveis a crimes e violências na internet, segundo pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, divulgada nesta quarta-feira (30). A percepção supera 80% em todas as regiões do país.
A percepção de risco chega a 93% no Centro-Oeste e 92% no Sudeste, seguidas por Nordeste (88%), Sul (86%) e Norte (82%). O levantamento também identificou situações concretas: 33% dos entrevistados afirmam conhecer alguma criança ou adolescente que já foi humilhado, xingado ou sofreu bullying na internet.
O percentual de casos conhecidos de bullying chega a 38% no Sudeste, seguido por Centro-Oeste (34%), Nordeste (32%), Norte (31%) e Sul (23%). Outras violências relatadas incluem mensagens de conteúdo sexual (25%), convites para encontros presenciais com estranhos (20%), divulgação de informações pessoais para intimidar (18%) e imagens falsas criadas por inteligência artificial (10%).
A pesquisa foi realizada entre 29 de maio e 7 de junho de 2026, com 2.202 brasileiros de 18 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Para 96% dos entrevistados, pais ou responsáveis deveriam supervisionar o conteúdo acessado por crianças e adolescentes. Na prática, porém, o acompanhamento diminui com a idade: 94% das crianças de 0 a 5 anos que usam internet têm supervisão, percentual que cai para 92% entre 6 e 11 anos, 88% entre 12 e 14 anos e 68% entre 15 e 17 anos.
O bloqueio de conteúdos perigosos é a medida de proteção mais citada, tanto para crianças de até 11 anos (56%) quanto para adolescentes de 12 a 17 anos (49%). A proibição das redes sociais é defendida por 23% para os mais novos e 15% para adolescentes. Apenas 2% consideram que o uso deve ser totalmente livre.
A diretora-executiva do Infinis, Márcia Kalvon, afirmou que os dados mostram riscos percebidos pela população e situações concretas vivenciadas por crianças e adolescentes. Ela disse que a sanção do ECA Digital representa avanço diante da exposição precoce às telas. O sócio-fundador da Quaest, Felipe Nunes, disse que a pesquisa aponta caminhos para reduzir a vulnerabilidade, como bloqueio de conteúdos e orientação para uso seguro.
A confiança nas escolas também caiu: apenas 30% dos pais e responsáveis dizem confiar muito nas instituições de ensino, ante 55% em 2021. Entre os que consideram o ambiente escolar pouco ou nada seguro, 70% apontam a violência entre alunos como um dos motivos. Psicólogos e serviços de aconselhamento são os que concentram o maior percentual de confiança (60%), seguidos pela polícia (49%).

