O alto comissário das Organizações das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda-feira (14) uma ação urgente para regulamentar a inteligência artificial (IA). Segundo Türk, os sistemas mais avançados representam riscos sem precedentes que ameaçam direitos fundamentais, incluindo o direito à vida.
Em comunicado, Türk afirmou que a humanidade está diante de uma mudança irreversível e exortou Estados e empresas a se mobilizarem em estruturas multilaterais. O comissário, que já havia classificado a tecnologia como um risco existencial no dia 7 de setembro, pediu que desenvolvedores concentrados nos Estados Unidos e na China atuem imediatamente na redução de danos.
Paralelamente, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou em Viena que a União Europeia (UE) pode perder o acesso à tecnologia caso não se torne produtora de IA. Lagarde informou que a lacuna de data centers na região deve aumentar mais de seis vezes em uma década, gerando uma dependência de tecnologias estrangeiras que poderia ser usada como pressão em negociações de tarifas ou impostos digitais.
A presidente do BCE estimou que a adoção rápida da IA poderia elevar a produtividade europeia em até 4% ao longo de dez anos. Para evitar o isolamento tecnológico, ela defendeu a criação de modelos operáveis em infraestrutura própria. A Comissão Europeia e o governo da Alemanha concordam que o desenvolvimento não deve ser interrompido, mas exigem que as empresas comprovem a segurança dos serviços.
A Alemanha levou a discussão ao G7 e defendeu coordenação internacional com China e Estados Unidos, especialmente sobre sistemas capazes de escapar de ambientes de teste. Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, comparou a necessidade de um acordo internacional para limitar riscos da IA a propostas de não proliferação nuclear.
No setor privado, os CEOs da Anthropic, Dario Amodei, e da OpenAI, Sam Altman, além de Elon Musk, defenderam a desaceleração dos avanços para avaliação de riscos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discordou da medida nesta segunda-feira, classificando a tentativa de frear a IA como uma conspiração que beneficiaria apenas a China.


