A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto, terceira etapa da Carbono Oculto. A ação apura a conexão entre estruturas financeiras ligadas ao Banco Master e um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), com ramificações no setor sucroalcooleiro.
A investigação colocou como alvos Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, e Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor e ex-sócio do Banco Genial. Freixo é apontado pela PF como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e assinou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no início deste mês.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que há fortes indícios de que recursos de núcleos distintos tenham passado pelo mesmo grupo empresarial. A apuração indica que operadores do mercado financeiro utilizaram contas, fundos de investimento e estruturas societárias para ocultar a origem de valores e prestar serviços a diferentes grupos criminosos.
No setor sucroalcooleiro, as autoridades investigam a montagem de uma estrutura para esconder os verdadeiros controladores da Usina Itajobi, no interior de São Paulo. Segundo a Receita Federal, uma empresa financeira empregada na aquisição simulada da usina movimentou R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025, volume que reforça a suspeita de dissimulação de patrimônio.
A apuração também envolve a distribuidora de combustíveis Terrana. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamed Hussein Murad, líderes do esquema no setor de combustíveis, teriam planejado a compra da empresa por meio de holdings de fachada, denominadas Berna e Branson.
O Banco Genial informou que Tupinambá Neto foi destituído da diretoria e do quadro societário em maio deste ano. A instituição declarou ter fornecido ao Gaeco de São Paulo as informações sobre o Fundo Radford e as holdings Berna e Branson, além de ter comunicado o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

