Líderes da oposição israelense acusaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nesta terça-feira (8), de ser inapto para o cargo após a divulgação de que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, teria alertado o premiê sobre a preparação de um ataque do Hamas em outubro de 2023.
A apuração da imprensa local indica que o presidente emiradense falou diretamente com Netanyahu quase 10 dias antes da ofensiva. Segundo as informações, Mohamed bin Zayed advertiu que o movimento islâmico organizava uma grande operação, mas o premiê não teria tomado providências. O Gabinete do primeiro-ministro negou a conversa e classificou as alegações como “pura mentira”.
Gadi Eisenkot, ex-comandante militar e rival político de Netanyahu, afirmou que o governante ignorou dezenas de avisos e tenta fugir de suas responsabilidades com desculpas patéticas. Naftali Bennett, ex-premiê e candidato nas próximas eleições, declarou que Netanyahu possui responsabilidade pessoal e direta pelas quase 1.200 mortes ocorridas no dia 7 de outubro de 2023.
O líder do partido Democratas, Yair Golan, também criticou a conduta do governo, afirmando que a omissão colocou o país em perigo e levou a uma catástrofe. Netanyahu está em campanha para as eleições legislativas marcadas para o dia 27 de outubro.
A informação original teria partido de Yahya Sinwar, líder do Hamas em Gaza, posteriormente morto por Israel, que relatou a um dirigente palestino a preparação de uma operação descrita como um “terremoto”. O dirigente repassou a mensagem a um assessor emiradense, que informou o presidente dos Emirados Árabes, levando à ligação direta com o premiê israelense.
No ataque de 7 de outubro de 2023, combatentes do Hamas sequestraram 251 pessoas e as levaram para Gaza, entre elas 44 que já estavam mortas. A resposta militar de Israel resultou na morte de 73.658 pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, órgão sob autoridade do Hamas cujos dados são considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU).

