A Oracle notificou a Blue Owl sobre a aplicação de uma cláusula de força maior no Projeto Júpiter, data center localizado no Novo México, nesta quinta-feira (24). A medida visa adiar pagamentos contratuais diante de possíveis atrasos no fornecimento de energia para a instalação, que integra a infraestrutura de inteligência artificial da empresa.
A Oracle é a responsável por garantir a energia do local, conforme previsto em contrato. Com a notificação, a companhia tenta prorrogar o período de pagamento do aluguel mais baixo, típico da fase de desenvolvimento. A Blue Owl, gestora de ativos que possui cerca de US$ 3 bilhões em capital próprio no empreendimento, informou que a medida não altera os compromissos financeiros do projeto plurianual.
O campus possui 570 hectares e obteve US$ 18 bilhões em empréstimos de um consórcio bancário. A estrutura faz parte do Stargate, iniciativa de investimento de US$ 500 bilhões envolvendo SoftBank Group e OpenAI para expansão da capacidade de computação em IA. A Oracle não pode rescindir o contrato de locação, mas responde pelos custos da dívida.
Além da energia, a obra enfrenta atrasos na construção de um gasoduto e disputas judiciais sobre licenças de qualidade do ar e uso de água. O projeto estava previsto para entrar em operação em 2028. As ações da Oracle recuaram 3,3% após a divulgação da informação.
A corretora William Blair avaliou que a notícia aumenta a preocupação com atrasos regulatórios em implantações de IA, mas previu impacto mínimo no curto prazo. Segundo a instituição, o ano fiscal de 2027 não deve ser afetado, pois o Projeto Júpiter ainda não gera receita.
A Oracle declarou no início do dia que a obra segue o cronograma planejado. A construção de centros de processamento de dados em larga escala tem gerado oposição em comunidades locais nos Estados Unidos por conta do impacto no abastecimento de recursos naturais.


