A expansão da malha metroviária e a integração tarifária são os principais pontos de divergência entre Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), candidatos ao governo do Rio de Janeiro. O sistema enfrenta queda no volume de usuários e a necessidade de investimentos estimados em R$ 68,4 bilhões para projetos prioritários.
O transporte sobre trilhos no estado registrou queda no fluxo de pessoas. Até a pandemia de Covid-19, metrô e trens transportavam cerca de 34 milhões de passageiros por mês. No primeiro trimestre deste ano, a média somada dos dois modais caiu para próximo de 23 milhões.
Um estudo do BNDES e do Ministério das Cidades mapeou 15 projetos prioritários de mobilidade. Apenas a Linha 3 demandaria mais de R$ 12 bilhões em obras e frota, valor que subiria R$ 3,4 bilhões caso fosse incluída a extensão da Linha 2 do Estácio à Praça Quinze.
Eduardo Paes promete concluir a ligação da Linha 2 até a Praça Quinze e expandir o trecho da Pavuna para Belford Roxo e São João de Meriti. O candidato afirma que iniciaria as intervenções da Linha 3 ainda em seu mandato. Já Douglas Ruas argumenta que a Linha 3 é complexa e prevê entregar o projeto com a sinalização de captação de recursos em quatro anos, via parceria com a Universidade Federal do Rio (UFRJ).
Ambos defendem a implementação de subsídios governamentais para reduzir a tarifa, mas não definiram valores por considerarem necessária a análise do contrato com a concessionária. Atualmente, apenas usuários do Bilhete Único com renda de até dois salários mínimos pagam R$ 5 na roleta.
A nova licitação da bilhetagem estadual, que envolve ônibus interestadual, trens e barcas, aguarda autorização judicial e acordo com o Ministério Público. Paes se posicionou contra a permanência da Riocard no sistema, enquanto Ruas declarou que a escolha da empresa será feita com transparência.
Na gestão ferroviária, o próximo governador assume a operação da Trens RJ, concessionária que substituiu a SuperVia neste segundo semestre com contrato de cinco anos. Paes cogita a criação de uma empresa pública caso a concessionária descumpra o contrato, alternativa rejeitada por Ruas.
As obras da estação da Gávea devem ser finalizadas em 2028. O projeto soma R$ 600 milhões da Metrô Rio e R$ 97 milhões do governo estadual, resultando na renovação do contrato da concessionária até 2048.

