O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, anunciou neste domingo (13) que pedirá ao Comitê Central de Eleições de Israel a exclusão do Ra’am e da Lista Conjunta das eleições de 27 de outubro. A legenda governista afirma que esses grupos prejudicam soldados israelenses e não classificam Hamas e Hezbollah como organizações terroristas.
A Lista Conjunta, formada por Hadash, Ta’al e Balad, classificou a iniciativa como racista. Dirigentes do grupo acusaram Netanyahu de tentar reduzir a representação política da população árabe por receio de perder o poder e para limitar a influência dessas legendas na formação do próximo governo.
A legislação israelense prevê a exclusão de candidatos que neguem Israel como Estado judeu e democrático, incitem o racismo ou apoiem a luta armada de organizações terroristas. No entanto, a Suprema Corte já reverteu decisões semelhantes do comitê em 2003, 2009, 2013, 2015, 2020 e 2022.
Pesquisas indicam que nem o bloco de Netanyahu nem seus adversários devem alcançar a maioria parlamentar sozinhos. Nesse cenário, deputados árabes podem ter peso decisivo nas negociações para a coalizão, embora parte da oposição descarte governar com essas legendas após o massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023.
O Ra’am, liderado por Mansour Abbas, integrou a coalizão governamental entre junho de 2021 e dezembro de 2022, sendo a primeira vez que um partido árabe participou formalmente de um governo. Na atual disputa, a sigla incluiu Yoav Segalovitz, ex-chefe da unidade de combate ao crime da polícia, o primeiro candidato judeu da legenda.
Outras movimentações judiciais marcam a campanha. O partido Otzma Yehudit, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, também pediu a exclusão do Ra’am. Em contrapartida, o partido Democratas, de Yair Golan, tenta impedir que o Otzma Yehudit dispute a eleição sob acusações de racismo.

