O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve comparecer à sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para as 10h desta terça-feira (15). O tribunal analisará relatório da Polícia Federal (PF) que revelou comunicações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A presença de Gonet é considerada relevante porque o procurador-geral aparece nas mensagens recuperadas pela PF. As comunicações indicam que o advogado Ciro Soares atuava como intermediário entre Gonet e Vorcaro. Em março de 2025, Soares enviou uma foto ao lado do procurador-geral e informou que ele queria falar com o ex-banqueiro, contato seguido por uma ligação de quatro minutos.
O documento, relatado pelo ministro André Mendonça, aponta que Vorcaro recebeu informações sobre investigações contra ele e considerou deixar o país após conselho de Moraes. A PF indica que o ministro editou a versão final de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Outros quatro ministros aparecem nas mensagens: Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça. Neste sábado (12), Moraes enviou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo que o julgamento ocorra junto a acusações contra Mendonça, alegando parcialidade do colega. Moraes citou indícios de improbidade administrativa e abuso de autoridade por parte de Mendonça.
Gonet reuniu-se com Fachin na sede do tribunal para discutir a questão. No mesmo sábado (12), o procurador-geral não assinou petição que pedia a queda total do sigilo do caso Master, documento assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand. Fachin atendeu ao pedido de abertura do sigilo.
O formato da sessão extraordinária ainda não foi definido por se tratar de um caso inédito na Corte. Fachin conduziu conversas com os ministros na sexta-feira (11) e afirmou que deseja um julgamento público e transparente.

