O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira (15), em sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), que nunca teve relacionamento de proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração ocorreu durante a análise de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Gonet pediu a palavra após ser mencionado nominalmente pelo ministro André Mendonça. O PGR declarou que o único encontro com Vorcaro ocorreu em abril de 2024, na presença de várias autoridades, e que a única ligação telefônica entre eles, intermediada por advogado, foi “brevíssima e banal”.
A manifestação ocorre enquanto o plenário analisa mensagens em que o ex-coordenador do Banco Master pede que Alexandre de Moraes tente reverter investigações contra a instituição financeira junto ao PGR e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em uma das mensagens, Vorcaro afirma ser importante reforçar a situação com ambos para evitar que funcionários de baixo escalão cometam erros.
O STF avalia agora se o conteúdo do relatório da PF justifica a abertura de uma investigação contra Moraes. Antes disso, a Corte deve decidir sobre o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o documento. O órgão argumenta que André Mendonça determinou a produção do relatório sem pedido prévio do Ministério Público ou da PF, e sem submeter a medida ao plenário.
Há divergências entre os ministros sobre o prosseguimento do caso. Alguns defendem que a nulidade do relatório pode encerrar o processo sem análise do mérito, enquanto outros entendem que os elementos já conhecidos permitem a abertura de nova investigação.
A sessão é marcada por tensão interna na Corte, com trocas de ofícios entre magistrados e disputas pelo acesso às provas. Antes do início dos trabalhos, os ministros debateram quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

