O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinou que a Agência de Segurança Nacional (NSA) e outras forças militares de inteligência e cibersegurança protejam os sistemas eleitorais durante as eleições de meio de mandato de novembro. A medida, divulgada cerca de cinco semanas antes do pleito de 3 de novembro, prevê o emprego de capacidades avançadas para identificar, interromper e neutralizar interferência estrangeira nos processos democráticos americanos.
Segundo o Pentágono, o memorando assinado por Hegseth na segunda-feira (28) determina que os órgãos trabalhem para combater ameaças à infraestrutura eleitoral do país. A medida prevê a participação do Comando Cibernético dos EUA, unidade das Forças Armadas responsável por operações de guerra cibernética, da NSA e de outras estruturas de inteligência e apoio ao combate.
O documento, divulgado quando a votação antecipada já está em andamento, determina que autoridades de inteligência da Defesa mobilizem todos os recursos disponíveis para defender a infraestrutura eleitoral da influência estrangeira maligna e garantir que todo eleitor legalmente habilitado possa votar livre de intimidação, coerção ou medo provocado por agentes estrangeiros.
A participação de especialistas militares em cibersegurança na proteção das eleições não é novidade. Eles ajudam a monitorar sistemas e a impedir a atuação de possíveis hackers desde 2017, quando equipamentos eleitorais passaram a ser classificados como infraestrutura crítica. As atividades descritas no memorando também são, em grande parte, ações que militares e agências de inteligência já realizavam antes do retorno de Donald Trump à Presidência, em 2025.
O anúncio ocorre após o segundo governo Trump dissolver ou reduzir estruturas federais encarregadas de combater operações de influência estrangeira, sobretudo dentro do FBI e do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional. As dúvidas aumentaram em abril, quando o chefe do Comando Cibernético e da NSA, general Joshua M. Rudd, disse a parlamentares que não sabia se uma equipe especializada em impedir ameaças estrangeiras às eleições havia sido constituída para o pleito deste ano.
Na segunda-feira, Rudd afirmou que o Comando Cibernético e a NSA combatem regularmente ações de agentes cibernéticos estrangeiros mal-intencionados, inclusive daqueles que têm a intenção de interferir no processo democrático. Andrew Schoka, que trabalhou no Comando Cibernético durante o ciclo eleitoral de 2020, disse que a proximidade do pleito pode limitar o alcance das ações. O trabalho do ESG exige meses de planejamento e coordenação, e grande parte de seu impacto ocorre muito antes do dia da eleição, afirmou.
David Becker, ex-advogado do Departamento de Justiça que dirige o Center for Election Innovation & Research, disse que a divulgação das medidas poucas semanas antes do dia da eleição sugere que isso não passa de encenação. Se o governo estivesse realmente empenhado em ajudar as autoridades eleitorais estaduais e locais, não deveria ter desmantelado toda a capacidade de cibersegurança eleitoral do governo federal e demitido todos os seus especialistas no início de 2025, declarou.


