Em meados de outubro de 1717, os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso lançaram suas redes no rio Paraíba, em Guaratinguetá, interior de São Paulo, e encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora. Trezentos e nove anos depois, a santa se tornou a padroeira do Brasil e objeto de disputa política entre presidenciáveis.
A ocasião era a chegada do governador das capitanias de São Paulo e Minas Gerais, o Conde de Assumar, recém-nomeado em Lisboa, que passaria pelo município a caminho de Vila Rica, atual Ouro Preto. A Câmara de Guaratinguetá convocara os pescadores da região. Após várias tentativas frustradas, João Alves retirou de uma de suas redes o corpo de uma imagem de Nossa Senhora. Ao lançar novamente a rede mais abaixo, encontrou a cabeça da mesma imagem, uma pequena escultura negra de origem desconhecida.
O encontro está registrado em documentos da Igreja. A folha 98 do 1º Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá, escrita pelo padre João de Morais e Aguiar, narra as tentativas frustradas de pesca até o momento em que João Alves lança sua rede de arrasto e “tira o corpo da Senhora, sem a cabeça”. O texto é datado de 1757 e se baseia em relatos anteriores do padre José Alves Vilela, vigário de Guaratinguetá.
Os documentos sobre a história estão preservados no acervo da Cúria Metropolitana de Aparecida. Outro manuscrito da época, Acontecimentos extraordinários referentes à Imagem, relata que João Alves levou a imagem para a casa de sua mãe, Silvana Alves da Rocha, após o encontro. Silvana uniu os pedaços com cera e a guardou em uma caixa de madeira. A imagem foi eventualmente levada para a casa do pescador Filipe Pedroso, tio de João Alves, onde famílias da região passaram a se reunir para rezar o terço.
Em 1732, Filipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, Atanásio Pedroso, que abriu o primeiro oratório aos fiéis. O padre José Alves Vilela tomou conhecimento da crescente devoção e, em 1740, construiu uma pequena capela. Três anos depois, pediu ao bispo do Rio de Janeiro, dom Frei João da Cruz, autorização para erguer uma igreja em louvor à imagem, então conhecida como Mãe Aparecida.
A igreja foi construída no Morro dos Coqueiros e deu origem a um santuário. Em 25 de julho de 1745, a imagem foi levada em procissão para a nova igreja. No dia seguinte, ocorreram a bênção e a primeira missa. Em 1844, diante do crescimento da devoção e do número de peregrinos, foi decidida a construção de um novo templo.
Em 1901, surgiu a proposta de coroar oficialmente a imagem. O pedido foi aceito pelo papa Pio 10º. A cerimônia ocorreu em setembro de 1904, no Santuário de Aparecida. Cerca de 15 mil pessoas, 12 bispos e centenas de sacerdotes participaram. Em 1929, durante o Congresso Mariano, dom Sebastião Leme propôs pedir à Santa Sé que declarasse Nossa Senhora Aparecida padroeira do país. O pedido foi aprovado pelo papa Pio 11 em julho de 1930, e a proclamação oficial ocorreu em 31 de maio de 1931, no Rio de Janeiro.

