A última rodada de pesquisas antes do primeiro turno, marcado para o próximo domingo, vai medir se os fatos que dominaram a reta final da campanha conseguiram deslocar votos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Levantamentos de Quaest, AtlasIntel, Meio/Ideia, Datafolha e Real Time Big Data são divulgados entre segunda-feira (28) e quinta-feira (1º).
De um lado, Lula tenta transformar em ganho eleitoral um pacote de medidas de apelo popular anunciado nos últimos dias, com o Desenrola Brasil 3.0, o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets. De outro, Flávio entrou na última semana obrigado a conter o desgaste provocado por uma notícia falsa que o associou à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Na sexta-feira (25), Lula lançou o Desenrola 3.0, que permite à União comprar carteiras de dívidas antigas com desconto e repassar o abatimento aos consumidores. O programa pode alcançar até 15 milhões de pessoas, segundo o governo. A medida se soma ao reajuste de 15,04% no Bolsa Família e à decisão de proibir as apostas online por medida provisória.
O efeito dessas iniciativas nas pesquisas ainda precisa ser medido. Os recortes por renda serão especialmente relevantes, já que Lula concentra desempenho superior entre eleitores de menor renda, público diretamente relacionado ao Bolsa Família, ao Desenrola e ao discurso contra o endividamento provocado pelas apostas.
Flávio enfrenta um problema diferente. Desde quinta-feira (24), o senador tenta desmentir uma informação falsa que o associou a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A proposta citada nas redes era de 2007, foi arquivada em 2008 e não tinha relação com Flávio. Mesmo falsa, a narrativa ganhou grande repercussão. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque contabilizou 124 milhões de interações entre os dias 23 e 27 de setembro. A equipe de Flávio acionou a Justiça Eleitoral para retirar publicações.
A Palver identificou que parte relevante das mensagens tratava a acusação como verdadeira e registrava indignação de católicos. Flávio tem forte apoio entre evangélicos. A dúvida é se a controvérsia produz deslocamento entre católicos, segmento numericamente maior do eleitorado, ou se o episódio fica restrito às redes sociais.
A Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostrou Lula com 39% e Flávio com 34% no primeiro turno. Na rodada anterior, os índices eram de 37% e 33%. Os indecisos caíram de 10% para 5%. A AtlasIntel, divulgada na terça-feira (29), registrou Lula com 45,3% e Flávio com 42,2%. Antes, o placar era de 45,8% a 43,4%.
O Meio/Ideia, previsto para quarta-feira (30), poderá mostrar se houve migração de votos de candidatos menores para Lula e Flávio. O Datafolha e a Real Time Big Data, na quinta-feira (1º), fecham a bateria de levantamentos. Os recortes por renda e religião serão importantes para medir os efeitos do pacote econômico e da crise envolvendo Nossa Senhora.

