O superávit da balança comercial brasileira em 2026 é impulsionado pela indústria extrativa, com destaque para o petróleo bruto, segundo relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta terça-feira (15) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado positivo compensa o déficit recorrente da indústria de transformação.
Entre janeiro e agosto, o Brasil registrou saldos positivos em agropecuária e extrativa, mas manteve déficit na indústria de transformação com China, União Europeia e Estados Unidos. Com a China, o superávit da extrativa atingiu US$ 33,8 bilhões, superando os US$ 27,9 bilhões da agropecuária, enquanto a transformação teve déficit de US$ 36,1 bilhões.
Na União Europeia, a extrativa liderou com US$ 11,2 bilhões, contra US$ 7,8 bilhões da agropecuária, com déficit manufatureiro de US$ 15,8 bilhões. Já nos Estados Unidos, o saldo positivo da agropecuária (US$ 1,1 bilhão) e da extrativa (US$ 400 milhões) não foi suficiente para cobrir o déficit de US$ 4,6 bilhões da indústria de transformação.
O petróleo bruto representou 14,6% das vendas externas em agosto, superando a soja, que ficou com 13,3%. No acumulado do ano, a soja lidera com 15,7% e o petróleo aparece em seguida, com 14,7%. O saldo líquido de petróleo e derivados somou US$ 27,3 bilhões, o que equivale a 49,4% do superávit total do período.
A FGV atribui parte do impulso ao conflito no Irã, que elevou os preços da energia e levou importadores a buscar fornecedores fora de áreas de risco. O relatório aponta que a indústria de transformação apresenta vulnerabilidades, com déficits em 18 setores no comércio com a China, 17 na União Europeia e 12 nos Estados Unidos.
Apenas três setores manufatureiros são superavitários nos três mercados: celulose, produtos de fumo e produtos alimentícios. A fundação estima que o superávit de 2026 será maior que o de 2025, apoiado no setor extrativo.

