A Polícia Federal identificou o advogado Ciro Rocha Soares como o intermediário nos contatos entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A apuração baseia-se em conversas e registros de ligações obtidos pelos investigadores.
Sócio-administrador do escritório Rocha Soares Advogados Associados, sediado em Salvador, o advogado atuou na defesa de Vorcaro, inclusive em pedido de habeas corpus em novembro de 2025. A relação entre Soares e Vorcaro teria começado em Belo Horizonte, onde ambos frequentavam a torcida do Atlético Mineiro no estádio do Mineirão.
Segundo a PF, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de André Mendonça em fevereiro de 2025, afirmando que estava “trabalhando” para o banqueiro. Em 14 de março de 2025, o advogado e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) organizaram uma reunião entre Vorcaro e Mendonça no Instituto Iter, em São Paulo. O ministro confirmou o encontro, mas disse que a conversa durou entre 20 e 30 minutos e tratou apenas de precatórios.
No dia seguinte a essa reunião, Soares enviou ao fundador do Master uma fotografia com Paulo Gonet, informando que o procurador-geral queria falar com ele. A PF registrou quatro ligações subsequentes via telefone do advogado. Relatórios indicam que Soares teria atribuído a Gonet manifestações de apoio ao Banco Master e tratado da ida do PGR e de seu filho, Pedro Gonet, a um evento do banco em Londres, que foi cancelada.
O advogado também teria atuado na campanha de indicação de Mendonça ao STF em 2021, auxiliando na articulação com gabinetes do Senado. Além disso, Soares organizou a concessão de títulos de cidadão baiano a Gonet e ao ministro Dias Toffoli, entregues pela Assembleia Legislativa da Bahia em março de 2025. O senador Otto Alencar afirmou que Soares pagou três viagens suas em aeronaves da Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio.
Paulo Gonet questionou a validade do relatório policial e afirmou que as mensagens foram retiradas de contexto, sustentando que não houve prática de irregularidades. O procurador-geral declarou que Mendonça não possui competência para determinar diligências contra pessoas específicas sem pedido da PGR ou da Polícia Federal.

