Um relatório da Polícia Federal (PF) identificou a possibilidade de ao menos dez encontros entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O banqueiro é alvo de investigação por uma suposta fraude bilionária e foi preso em novembro de 2025.
Os registros foram extraídos de aparelhos eletrônicos apreendidos com Vorcaro. As mensagens indicam compromissos em Brasília, reuniões em locais privados e agendas profissionais. A PF ressalvou que os dados não permitem confirmar definitivamente se todas as reuniões mencionadas nas conversas ocorreram.
Em 28 de outubro de 2025, Vorcaro tentou combinar um encontro com Moraes em Brasília, sugerindo ir à residência do ministro. Outro registro, de 14 de novembro, aponta compromisso às 14h30 na casa do magistrado. No dia 16 de novembro, véspera de sua prisão, o empresário informou ao ministro que seguiria para um encontro logo após desembarcar de um voo.
Investigadores consideraram relevante diálogo de 15 de novembro de 2025, quando Vorcaro questionou Moraes se deveria deixar o país por preocupação com uma operação policial. O empresário foi preso em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar em um jatinho particular.
O conteúdo tornou-se público após decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que determinou o levantamento do sigilo de parte da ação. A divulgação provocou uma discussão entre Moraes e Mendonça na chegada ao tribunal, com elevação do tom de voz que exigiu a intervenção da segurança do Supremo.
A Polícia Federal informou que as evidências servem como elementos de investigação, mas não permitem estabelecer o que foi tratado nos encontros. A apuração sobre ministros da Corte depende de autorização do próprio STF. Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre as mensagens.


