Um relatório da Polícia Federal (PF), tornado público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que a proximidade entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, coincidiu com aportes de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência na instituição financeira.
A apuração aponta que encontros informais e eventos de pequeno porte entre os dois eram sucedidos por investimentos massivos do fundo de aposentadorias e pensões de funcionários públicos do Rio em letras financeiras e portfólios do Banco Master. A PF afirma que esses encontros serviram para conceber investimentos em títulos considerados podres, operacionalizados por gestores da autarquia previdenciária.
A cronologia detalhada pela PF inclui um jantar em Nova York, pago por Vorcaro em maio de 2023, no valor de R$ 66 mil, além de diversas reuniões entre julho de 2023 e maio de 2024. No total, o Rioprevidência realizou nove aportes financeiros no banco entre novembro de 2023 e julho de 2024. Mensagens trocadas entre os dois revelam tratamentos como “irmão” e convites para feijoadas e camarotes.
O relatório indica que Cláudio Castro nomeou três gestores no Rioprevidência entre julho e outubro de 2023: Deivis Marcon Antunes, Euchério Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal. Segundo a PF, as nomeações tiveram o propósito de praticar gestão fraudulenta, já que os três ocupavam os cargos com poder de decisão sobre o credenciamento do Banco Master e a definição dos investimentos.
A investigação revela que Euchério Rodrigues foi nomeado em 4 de outubro de 2023, mesma data em que o Banco Master solicitou credenciamento ao fundo. Doze dias depois, Pedro Leal informou que a instituição atendia aos requisitos. A PF afirma que Deivis Antunes era o responsável por dar guarita aos outros dois gestores para que aplicassem os recursos de forma irregular.
As decisões tomadas pelos nomeados contrariaram a Política de Investimentos do Rioprevidência, que historicamente seguia parâmetros conservadores de baixo risco para manter o equilíbrio atuarial. A assessoria de Cláudio Castro não respondeu aos questionamentos sobre as investigações.

