A Polícia Federal (PF) identificou que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, falsificava ofícios para derrubar perfis de desafetos em redes sociais. As informações constam em relatórios divulgados nesta quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após decisão que retirou o sigilo dos documentos.
Segundo a PF, o grupo ligado ao empresário utilizava indevidamente as estruturas estatais para remover perfis considerados opositores. A apuração indica o uso irregular dos portais de Law Enforcement Information Request, sistemas destinados a autoridades para encaminhar solicitações a plataformas digitais, a fim de conferir aparência oficial aos pedidos.
O relatório cita um ofício enviado à Meta, empresa responsável por Facebook e Instagram, falsamente atribuído ao Grupo Especial de Combate à Corrupção do Ministério Público do Ceará (MP-CE). O documento visava derrubar um perfil que Vorcaro alegava pertencer à ex-namorada, Martha Graeff, e que teria atacado a filha do empresário.
Em 7 de outubro de 2024, Vorcaro escreveu que precisava derrubar a conta e localizar o autor do perfil. As cobranças seguiram até 9 de outubro, quando Luiz Phillipe Machado Mourão, conhecido como Sicário e apontado como integrante do grupo, informou que a conta havia sido banida pela Meta após o reenvio do pedido.
A PF identificou que o grupo utilizou o e-mail de uma funcionária do MP-CE para acessar os portais de solicitações. A corporação informou que ainda não é possível determinar se a servidora participou conscientemente do esquema ou se suas credenciais foram usadas indevidamente por terceiros.
O documento da PF afirma que a prática atribuiu legitimidade funcional a pedidos que não eram demandas oficiais do Ministério Público. A corporação declarou que as ações comprometem a integridade de sistemas de investigações reais, gerando riscos institucionais e violando normas de segurança da informação e proteção de dados.


