A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro utilizou logins funcionais de servidores do Ministério Público Federal (MPF) para obter informações de processos sigilosos. O esquema envolvia a contratação de um grupo para monitorar adversários e investigar quem teria sobrevoado a residência de Vorcaro, na Bahia, com um helicóptero.
As investigações indicam que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, encaminhava resultados de consultas internas para Vorcaro. Mourão integrava um núcleo chamado A Turma, descrito como uma milícia usada para intimidar pessoas ligadas a apurações sobre o banco. O homem morreu por suicídio em 4 de março, após ser preso em operação na Superintendência da PF de Minas Gerais.
Segundo a PF, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para fabricar dossiês, coagir pessoas e acessar dados sigilosos. Mensagens de junho de 2024 mostram Mourão oferecendo a Vorcaro a possibilidade de pesquisar empresas e indivíduos. Em resposta à pergunta sobre quais documentos desejava receber, o ex-banqueiro afirmou: “Todos, obviamente”.
No episódio do helicóptero, ocorrido em janeiro de 2025, Vorcaro relatou que uma aeronave sobrevoou sua casa na Bahia por 40 minutos. Para descobrir a identidade do contratante e dos passageiros, Mourão utilizou um documento com brasão do MPF, classificado como “URGENTE/SIGILOSO”. A PF notou que o ofício não possuía assinatura digital nem manuscrita, o que causou estranheza aos investigadores.
O relatório aponta que consultas foram registradas no login de uma servidora do MPF e de outro servidor. Sobre a primeira, o MPF declarou, nesta sexta-feira (11), que a funcionária foi vítima de phishing. O órgão informou ter bloqueado os acessos indevidos. A PF ainda apura se as credenciais foram cedidas ou se os servidores tiveram seus dados roubados.
Em julho de 2025, Mourão compartilhou nova consulta aos sistemas do MPF com os termos “BRB AND MASTER”. Na ocasião, Vorcaro respondeu: “Quero tudo. Atenção total”. O ex-banqueiro também foi alvo de uma busca via CPF em 23 de julho de 2024, que localizou 15 procedimentos, sendo 11 deles sob sigilo.

