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PF aponta renda incompatível em repasses de deputado a produtora

Carla Fernandes
Última atualização: 10 de setembro de 2026 19:39
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

A Polícia Federal (PF) identificou incompatibilidade financeira nos repasses de R$ 645,4 mil feitos pelo deputado Mário Frias à GoUp Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”. As transferências ocorreram em menos de 60 dias e foram reveladas nesta quinta-feira (10) durante a Operação Make Up, que apura desvios de recursos públicos.

A análise financeira da corporação indica que Frias recebe R$ 44.008,52 por mês, valor insuficiente para justificar o volume enviado à produtora no curto intervalo. Segundo a PF, a situação coloca o parlamentar como participante ativo da engrenagem financeira e não apenas como autor de emendas desviadas por terceiros.

A PF classifica o deputado como um “agente central” de uma organização criminosa estruturada para captar, disseminar e ocultar verbas públicas. Os investigadores apontaram ainda uma coincidência temporal entre a gravação do filme e o envio de emendas parlamentares.

Além dos repasses diretos, Frias atuou como produtor executivo de “Dark Horse” e destinou R$ 1 milhão via emenda ao Instituto Conhecer Brasil (IBC). O recurso deveria financiar um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo, mas a apuração indica que a iniciativa não foi realizada.

A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Os principais alvos são o deputado e Karina Gama, presidente do IBC e produtora do filme.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão de 3 de setembro, com sigilo levantado nesta quinta-feira. Dino afirmou que a ação visa evitar o risco de alinhamento de versões, combinação de depoimentos ou a destruição de provas.

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