A Polícia Federal (PF) identificou que informações sigilosas de investigações sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro foram acessadas por meio de um computador da delegacia de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O fato foi revelado em documentos com sigilo levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (10).
As consultas ocorreram no sistema interno ePol e foram descobertas durante a Operação Compliance Zero, que apura crimes financeiros. A apuração começou após Luíz Phillipi Mourão, conhecido como Sicario, enviar a Vorcaro uma captura de tela do sistema com números de investigações policiais em 15 de setembro de 2025.
Uma auditoria interna da PF confirmou que o acesso partiu da unidade na Zona da Mata mineira. A corporação determinou uma revisão geral nos sistemas da instituição para apurar a extensão das pesquisas indevidas realizadas pela organização.
Os registros citam Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado em agosto de 2022, que trabalhou na delegacia de Juiz de Fora. Ele é apontado como líder de um grupo chamado Turma, composto por policiais que executariam ordens de Vorcaro, incluindo a obtenção de dados sigilosos e a intimidação de desafetos.
A investigação indica que a Turma teria recebido até R$ 9,6 milhões. Uma contabilidade apresentada por Sicario ao empresário sugere que o grupo recebia R$ 400 mil mensais, valor dividido entre seis integrantes.
Luíz Phillipi Mourão foi preso em março deste ano durante a mesma operação e morreu por suicídio dias depois. A Polícia Federal não respondeu aos questionamentos sobre quem realizou os acessos, e as defesas de Daniel Vorcaro e Marilson Roseno da Silva não se manifestaram.

