A Polícia Federal (PF) afirmou em relatório que o banqueiro Daniel Vorcaro se preparava para fugir do Brasil dias antes de ser preso, em novembro de 2025. O documento foi tornado público nesta quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de investigações sobre o Banco Master.
Segundo a PF, registros no celular do banqueiro indicam que ele monitorava autoridades, acessava informações sigilosas e tentava influenciar agentes públicos. O relatório aponta que Vorcaro utilizava um grupo chamado “A Turma”, composto por policiais, para agir contra pessoas que ele considerava adversárias.
A apuração indica que o banqueiro mapeou investigações envolvendo o Banco Master e o BRB, tendo acesso a informações sobre a Operação Compliance Zero em julho de 2025. Na véspera de sua prisão, Vorcaro já sabia o nome do juiz responsável pela vara onde tramitava o pedido de medidas cautelares.
No dia 16 de novembro, antes de ser detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para Dubai, o banqueiro perguntou a um interlocutor sobre a proximidade deste com o juiz da 10ª Vara Federal Criminal. O relatório identifica esse interlocutor como o ministro Alexandre de Moraes. Mensagens anteriores mostram que Vorcaro perguntou ao ministro se deveria deixar o país.
Trocas de mensagens com o advogado Walfrido Warde no dia da prisão revelam tensão e discussões sobre rotas de deslocamento. O banqueiro teria manifestado preocupação explícita e urgência, enquanto a defesa informava ter protocolado uma petição improvisada por não possuir o número do processo.
A PF concluiu que o comportamento de Vorcaro, somado ao uso de informações privilegiadas de órgãos estatais e a manipulação da imprensa para interesses do Banco Master, caracteriza risco concreto de evasão e obstrução da Justiça.

