A Polícia Federal (PF) concluiu que Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do Banco Master, coordenava uma estrutura organizada para fabricar reputação positiva e neutralizar críticas nas redes sociais. As informações constam em documentos tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quinta-feira (10).
A investigação indica que Vorcaro solicitou a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, a publicação de comentários positivos em notícias sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O objetivo era transmitir a impressão de que a operação havia sido bem-sucedida. O empresário chegou a orientar que as interações não fossem excessivamente positivas para parecerem naturais.
Os investigadores identificaram indícios de que a equipe de Vorcaro recebia instruções para elevar notas de aplicativos e inserir avaliações favoráveis às empresas sob seu controle. Mensagens transcritas pela PF citam pagamentos para editores e um site, embora o veículo tenha negado o recebimento de documentos.
A apuração aponta que Thiago Miranda, publicitário e ex-sócio de um portal de fofocas, encomendou um dossiê sobre um diretor do Banco Central. O material serviria para abastecer Vorcaro durante a fiscalização da autarquia que resultou na liquidação do Banco Master.
Segundo a PF, o empresário teria continuado a atuar no ambiente digital mesmo após ser preso, com capacidade de derrubar contas desfavoráveis ao seu grupo. Em janeiro de 2026, houve uma tentativa de descredibilizar órgãos como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em relação à liquidação extrajudicial do banco, decretada em novembro.
O processo de liquidação do Master está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A PF avalia que o uso de redes sociais para influenciar o debate em favor de interesses próprios era o modus operandi de Vorcaro para reforçar a percepção de que possuía uma reputação positiva.

