A Polícia Federal informou que Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, teve acesso antecipado a informações sobre a operação Compliance Zero. Segundo a corporação, o banqueiro articulou ações e tentou deixar o Brasil na noite de 17 de novembro de 2025, véspera do cumprimento dos mandados policiais.
O ministro André Mendonça retirou, nesta quinta-feira (10), o sigilo da Petição 15.556 e de outros 14 procedimentos do caso Master, após pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O relatório da PF reconstrói os passos de Vorcaro, incluindo anotações sobre o juiz federal Ricardo Soares Leite e mensagens urgentes recebidas de seu advogado, Walfrido Warde, em 16 de novembro de 2025.
A investigação aponta que Vorcaro manteve contatos com Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, funcionários do Banco Central (BC). A PF afirma que ambos atuavam informalmente para o Banco Master e teriam recebido vantagens indevidas. Os servidores teriam orientado o banqueiro sobre documentos enviados ao BC e forçado uma reunião com o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, no dia 17 de novembro.
Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos na noite de 17 de novembro, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã seguinte. O banqueiro foi solto em 28 de novembro por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Em 27 de fevereiro, a PF apresentou novo pedido de prisão preventiva com base nas evidências de que o investigado sabia da ação policial. O ministro Mendonça acolheu a representação citando risco de interferência nas investigações, e Vorcaro foi preso novamente em 4 de março. A PF declarou que há fortes elementos de condutas para proteger a organização criminosa por meio de conhecimento antecipado de atos processuais.

