Diálogos analisados pela Polícia Federal (PF) indicam que o ex-servidor do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, tratava pedidos do banqueiro Daniel Vorcaro como “prioridade absoluta”. As mensagens envolvem a compra do Banco Voiter pelo Banco Master, concretizada em fevereiro de 2024.
Em dezembro de 2023, Vorcaro solicitou reunião com o servidor para discutir a aquisição do Voiter. No relatório da PF, consta que Paulo Sérgio demonstrou empolgação com o projeto e afirmou que a questão era prioritária, declarando que falar com o banqueiro não causava “incômodo algum”.
A operação de compra do Voiter adicionou R$ 800 milhões ao patrimônio líquido do Banco Master. A transação buscava reorganizar as atividades de varejo e atacado da instituição, envolvendo também uma negociação com o antigo Banco Indusval.
A defesa de Paulo Sérgio contestou a divulgação de trechos das conversas, alegando que as informações estão descontextualizadas. Os advogados afirmam que a interação com o supervisionado era natural e que foi essa atuação rigorosa que permitiu a identificação de irregularidades na instituição.
Segundo a defesa, o ex-servidor teria oficializado a descoberta de um rombo de R$ 12 bilhões no Master em setembro de 2024. O texto afirma que Paulo Sérgio teria sido orientado pelo diretor Ailton de Aquino a “jogar parado”, sob a justificativa de que Gabriel Galipolo resolveria a situação ao assumir a presidência do BC.
Leonardo Palazzi, advogado de Belline Santana, ex-chefe de supervisão do BC, criticou a exposição seletiva de elementos da investigação. Palazzi disse que a repercussão fragmentada desvia o foco de responsabilidades que alcançariam níveis superiores, embora não tenha detalhado a quem se referia.
A defesa de Santana lembrou que o próprio Vorcaro, em depoimento prestado no mês passado, afirmou que não houve pagamento ou concessão de vantagem ilícita ao ex-chefe de supervisão.


