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PF produz relatórios sobre atuação de André Mendonça no STF

Carla Fernandes
Última atualização: 3 de setembro de 2026 23:19
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A Polícia Federal produziu relatórios de inteligência com 50 páginas para analisar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça em investigações sob sua relatoria. O material, enviado ao ministro Alexandre de Moraes, contém críticas a decisões nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, que apura fraudes previdenciárias e suspeitas no Banco Master.

O documento analisa o padrão de provas adotado por Mendonça, o tempo de resposta a pedidos da PF e sua relação com atores políticos. O material antecedeu a decisão de terça-feira (1º), quando Mendonça retirou o sigilo de peças que mostravam a relação entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Moraes. Após a medida, Moraes determinou que a PF encaminhasse o relatório ao seu gabinete via inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news.

Nesta quinta-feira (3), Moraes utilizou as informações para afirmar haver fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na conduta de Mendonça. O ministro solicitou providências ao presidente do STF, Edson Fachin, que abriu procedimento e concedeu cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem informações.

Os analistas da PF citam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como um provável alvo estratégico, levantando a hipótese de que Mendonça usaria o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, para acessá-lo. O relatório também aponta diferenças de postura entre o relator em relação a Moraes e ao ministro Dias Toffoli, registrando contemporização no caso de Toffoli, embora ressalve que a causa dessa diferença não foi demonstrada.

Sobre a celeridade processual, a PF listou a assimetria nos prazos de apreciação de medidas envolvendo políticos. Um pedido relacionado a Jaques Wagner levou nove dias para ser decidido, enquanto um caso envolvendo Cláudio Castro demorou 75 dias. A corporação avalia que a dispersão é expressiva, mas admite que a amostra é pequena e pode ser afetada pela complexidade de cada processo.

O relatório menciona ainda atritos entre Mendonça e a cúpula da PF. Segundo o documento, o ministro teria afirmado que Andrei Rodrigues mantinha proximidade inadequada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugeriu dispor de um procedimento para o afastamento do diretor-geral. Sobre Paulo Gonet, o texto registra que Mendonça o consideraria indigno de confiança devido à proximidade do procurador-geral com o ministro Gilmar Mendes.

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