A Polícia Federal (PF) recuperou 52 textos enviados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos foram extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido em novembro do ano passado, utilizando softwares forenses para superar camadas de segurança digital.
O conteúdo da análise pericial foi tornado público no dia 1º deste mês pelo ministro André Mendonça, também do STF. Segundo os peritos, Vorcaro utilizava uma estratégia de dupla blindagem para impedir a recuperação das conversas: escrevia textos no aplicativo Notas, realizava a captura de tela e enviava a imagem via WhatsApp com a função de visualização única.
O contato estava configurado para apagar as mensagens automaticamente após 24 horas. No entanto, o sistema iOS gera automaticamente um arquivo em PDF quando o usuário captura a tela de um texto no Notas. Esse documento, que contém carimbo de data e hora, permaneceu armazenado na memória física do aparelho.
Para organizar as evidências, a PF utilizou o Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED), software criado pela própria corporação. A ligação entre os textos recuperados e o destinatário foi estabelecida por meio do cruzamento de arquivos com os registros de atividade do sistema, conhecidos como logs.
A análise revelou que Vorcaro abria o Notas, editava o texto, gerava o PDF e abria o WhatsApp em um intervalo médio de 11 a 35 segundos. Os registros apontaram a transmissão de dados para o terminal salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
No relatório, a PF afirmou que a sequência ininterrupta de ações estabelece correlação entre a geração da imagem e o envio ao interlocutor específico.

