O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta quarta-feira (2) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa tomar providências sobre o envolvimento do empresário Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para não ser considerado conivente.
A declaração ocorre após o ministro André Mendonça, do STF, determinar na terça-feira (1º) a retirada do sigilo de uma ação sobre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF), baseado na análise do celular do empresário, aponta contratos de até R$ 158 milhões relacionados a Vorcaro e à mulher de Moraes. O documento indica que o ministro participou da edição de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa e o banqueiro.
O PL defende agora o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo a sigla, Lula deve exonerá-lo para assegurar a independência da apuração. A investigação cita que Rodrigues viajou a Londres em abril de 2024 para um fórum custeado por organizadores, incluindo o Banco Master. No local, o diretor da PF participou de uma degustação de whisky com Vorcaro e Moraes.
Mensagens atribuídas a Vorcaro sugerem que o empresário procurou Moraes para tratar de investigações contra o Banco Master e pediu que o ministro intercedesse junto a Andrei Rodrigues para adiar operações policiais. O senador Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado, afirmou que o diretor-geral da PF seria o elo entre o governo e o esquema movimentado no STF.
Em resposta, o PL anunciou a assinatura de um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, junto a outros parlamentares da oposição. A sigla também informou que apresentará uma reclamação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e adotará medidas administrativas contra integrantes da PF. O partido afirma que mais de 41 senadores são favoráveis à abertura do processo de impeachment.
O relatório da PF foi elaborado a pedido de André Mendonça para identificar uma rede de influência de Vorcaro, que foi preso em 18 de novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero. O ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos pedidos de manifestação até a publicação da matéria.

