O cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Rennó afirmou que o aumento do poder do Congresso Nacional torna a escolha de deputados e senadores mais importante para os eleitores. Em entrevista ao podcast Me Conta+, da Câmara dos Deputados, ele citou o crescimento das emendas parlamentares como exemplo do fortalecimento do Legislativo.
“É cada vez mais importante prestar atenção no voto para deputado, deputada federal, senador e senadora. O Congresso é cada vez mais poderoso no Brasil, influencia cada vez mais as políticas públicas, seja diretamente pela produção de leis, seja via Orçamento”, disse.
Um dos principais exemplos desse fortalecimento, segundo Rennó, é a participação no Orçamento. Com o aumento do volume de recursos destinados por meio de emendas parlamentares e a ampliação das emendas de execução obrigatória, deputados e senadores passaram a ter maior influência sobre a destinação do dinheiro público.
“O parlamentar toma a decisão sobre para onde ele vai mandar o dinheiro. Então, prestar atenção para onde o parlamentar está mandando suas emendas, para que tipo de projetos, quem é beneficiado. É a saúde? É a educação? Qual é a área de política pública em que esse deputado ou deputada está gastando dinheiro, senador ou senadora está investindo dinheiro? Isso é importante saber”, afirmou.
Na avaliação do professor, o grande número de candidatos e partidos gera uma sobrecarga de informações e dificulta a comparação entre os que disputam uma vaga na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. “É difícil para o eleitor, ele fica perdido nesse amontoado gigantesco de dados, de informações que existem. São transparentes, estão lá, mas é difícil para ele acompanhar”, declarou.
Para Rennó, mudanças capazes de reduzir essa dificuldade dependem de uma reforma do sistema eleitoral. Ele ressalta que a escolha de um deputado deve levar em conta não apenas o candidato, mas também o partido, que tem importância na organização das bancadas, na definição de agendas políticas e na distribuição de recursos para as campanhas.
O cientista político defende que a atuação de deputados e senadores deve ser avaliada pela apresentação e votação de propostas, pelas leis que ajudaram a aprovar e pelo acompanhamento do uso dos recursos públicos. “Parlamentar trabalha 7 dias por semana, 24 horas por dia, porque, quando ele está lá no seu reduto eleitoral, ele está atendendo gente, acompanhando quais são os problemas graves daquela localidade”, afirmou.

