A Polícia Federal marcou para a próxima terça-feira (15) o depoimento de Daniel Vorcaro sobre irregularidades no Banco Master e fraudes em operações com o Banco de Brasília (BRB). A oitiva, que já havia sido adiada a pedido da defesa, ocorre enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) decide se o ministro Alexandre de Moraes será investigado.
A defesa do banqueiro deve solicitar novo adiamento, alegando a falta de acesso integral aos documentos necessários para a defesa. A data coincide com a sessão do STF que analisará a troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Há movimentações na Corte para reagendar o encontro, visando tempo para a análise de materiais tornados públicos entre quinta e sexta-feira (11).
Vorcaro foi preso em novembro do ano passado ao tentar fugir do país. Na ocasião, ele era alvo de investigação por emissão de títulos de crédito falsos para instituições financeiras. No dia da prisão, o Banco Central liquidou o Banco Master.
Investigações recentes indicam que a rede de Vorcaro envolve políticos de diversos partidos e cargos nos Poderes Executivo e Legislativo. Membros do Judiciário, como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, também são citados no rol de relacionamentos do banqueiro.
A crise institucional no STF se intensificou após a divulgação de detalhes sobre a relação de Moraes e Vorcaro. As informações apontam pedidos do banqueiro para que o ministro interviesse junto ao delegado Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para travar investigações sobre o Master.
A apuração menciona ainda a participação de Moraes na edição de um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Moraes e o banqueiro. Outros pontos incluem conversas sobre a fuga de Vorcaro do país, cobranças de pagamentos ao escritório Barci de Moraes e a autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.

