O produtor americano Michael Brian Davis, sócio da GoUp Entertainment, afirmou que os documentos solicitados pela Polícia Federal (PF) sobre os gastos do filme “Dark Horse” nos Estados Unidos só serão entregues mediante determinação da Justiça norte-americana. A manifestação ocorreu via e-mail em 2 de setembro e integra inquérito que apura o financiamento da obra.
A investigação busca verificar se a produção, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi custeada com recursos do Banco Master. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirou o sigilo do processo na última sexta-feira. A GoUp protocolou centenas de notas fiscais de hospedagem e contratos com atores brasileiros, mas omitiu os contratos de profissionais americanos.
Davis escreveu que requisições de autoridades brasileiras devem ser formalizadas por canais diplomáticos ou cooperação jurídica internacional, como cartas rogatórias. Em junho, a empresa apresentou perícia privada indicando gastos de US$ 13,4 milhões nos Estados Unidos, porém o documento não detalha a aplicação dos valores.
A Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro tenha financiado o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no Brasil. O fundo do projeto tem como agente legal o escritório do advogado Paulo Calixto, que representa o ex-deputado. Eduardo Bolsonaro é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de articular sanções contra autoridades brasileiras.
Outros dois inquéritos, sob a responsabilidade do ministro Flávio Dino, apuram o uso de verbas públicas. Um deles envolve contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de Wi-Fi, entidade representada por Karina Gama, sócia da GoUp. Há ainda a suspeita de que emendas parlamentares destinadas ao ICB tenham sido trianguladas para a produtora. 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na última quinta-feira.
Documentos fiscais revelam que a produção gastou mais de R$ 800 mil com segurança e peruca do ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente, em São Paulo. As despesas incluem R$ 10 mil com a peruca de Caviezel e R$ 3 mil com apliques de cabelo para a atriz que interpreta Michelle Bolsonaro. As diárias de hotel para o ator, assessores e segurança somaram R$ 732 mil.


