O programa Move Brasil, criado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva para financiar veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, liberou R$ 4 bilhões dos R$ 30 bilhões previstos. A iniciativa, lançada há pouco mais de três meses, alcançou 13,3% do total disponibilizado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Cerca de 40 mil veículos foram comercializados por meio do programa. As condições incluem financiamento de até 100% do valor do automóvel, com carência de seis meses e juros limitados a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres.
Apesar das taxas inferiores às de mercado, o projeto enfrenta gargalos operacionais e baixa adesão de bancos privados. Um dos principais obstáculos é a análise de crédito. Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp), informou que 92% dos profissionais representados pela entidade possuem restrição no CPF.
Souza afirmou que a classe não será beneficiada enquanto as instituições financeiras mantiverem o critério de barrar quem não tem o nome limpo, independentemente do aumento do limite de crédito. Outro problema foi a operação inicial sem o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que reduz o risco dos bancos e só funcionou duas semanas após o início do programa.
Para tentar reverter o cenário, o governo elevou o limite de financiamento para R$ 200 mil e incluiu modelos híbridos na lista de elegíveis. A medida recebe críticas por permitir a compra de carros importados ou montados no Brasil com peças estrangeiras.
O Move Brasil é uma estratégia do Planalto para atrair motoristas de aplicativo em ano eleitoral, grupo com o qual o governo enfrenta dificuldades nas discussões sobre regulamentação do setor. O desempenho é comparado ao do Voa Brasil, programa de passagens para aposentados que vendeu 52 mil bilhetes até o início de 2026, menos de 2% da meta de 3 milhões.


