A conciliação de shows em São Paulo com a estreia como rainha de bateria da Grande Rio, no Rio de Janeiro, por Anitta levanta alertas sobre os limites do organismo humano. Segundo a psicóloga Daisy Cangussú, a pressão e a expectativa podem mascarar o cansaço imediato, adiando a sensação de esgotamento para depois do cumprimento das tarefas.
A especialista explica que, em situações de alta exigência, o corpo entra em um estado de ativação que permite tomar decisões e funcionar mesmo sob desgaste. No entanto, essa disposição não anula a necessidade de recuperação física e mental do organismo.
O risco aumenta quando agendas aceleradas, com poucas horas de sono e viagens constantes, deixam de ser exceções e se tornam o padrão. Quando a pausa não ocorre, surgem sinais como irritabilidade, ansiedade, alterações no sono e dificuldade de concentração.
Cangussú, fundadora da Wapiya Gestão de Pessoas e Diversidade e da Wapiya Saúde Mental e Bem-Estar, afirma que a cultura atual associa a ocupação constante à importância e a suportar o cansaço à competência. Para a psicóloga, essa percepção promove uma relação pouco saudável com o trabalho.
No caso da cantora, a operação entre as duas cidades envolve planejamento de transporte, alimentação e produção. Ainda assim, a eficiência logística não elimina a demanda biológica por descanso.
A profissional defende que a alta performance sustentável exige a inclusão do repouso na agenda. O descanso não deve ser o que sobra após os compromissos, mas parte integrante do planejamento para evitar que o extraordinário se torne a regra.

