O Partido dos Trabalhadores (PT) convocou uma reunião de sua executiva nesta quinta-feira (10), em Brasília, para discutir a estratégia de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro foi motivado por pesquisas de intenção de votos que indicam empate com Flávio Bolsonaro (PL) e pela crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).
A convocação, feita pelo presidente da legenda, Edinho Silva, acontece em meio a tensões internas. Integrantes da cúpula do partido criticam a condução da campanha, alegando falta de participação da sigla nas definições estratégicas. Há queixas de que Silva adotou postura centralizadora e teria priorizado a própria candidatura a deputado federal por São Paulo em detrimento do comando presidencial.
O cenário de instabilidade no STF também preocupa a equipe de Lula. O presidente teme que a suspeita sobre o Judiciário gere efeito eleitoral direto e desvie o debate nacional de temas prioritários do governo, como a PEC do fim da jornada de trabalho 6×1. Lula conversou com ministros da Corte nos últimos dias para buscar uma saída para a crise.
Ao deixar a reunião, o ministro José Guimarães afirmou que a campanha deve seguir, a partir de agora, uma linha de “radicalismo” e “enfrentamento”, com mudanças no programa de TV e maior presença nas ruas. A senadora Teresa Leitão disse que o objetivo é “dar um gás” na mobilização para alertar sobre os riscos de uma vitória de Flávio Bolsonaro.
A insatisfação com a gestão de Edinho Silva levou alguns membros da executiva que disputam eleições estaduais a não comparecerem ao encontro em Brasília. Aliados de outros partidos da coligação, como PSB, PDT, PSOL-Rede, PV e PC do B, também relataram falta de diálogo com a coordenação da campanha.
A agenda de realinhamento segue nesta sexta-feira (11), com uma reunião em São Paulo entre a campanha e representantes de centrais sindicais e movimentos sociais. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, afirmou que o encontro servirá para organizar a mobilização nas bases trabalhadoras.
A equipe jurídica da campanha também se reuniu nesta quinta-feira para avaliar os próximos passos. Membros da coordenação admitiram morosidade no engajamento com a militância e citaram atrasos na distribuição de materiais devido à demora na liberação de recursos do fundo eleitoral.


